sábado, 16 de agosto de 2014

A Fé se Manifesta em Obras


Publicado em 14 de Agosto de 2014 as 12:40:58 PM 
Igreja Evangélica Assembleia de Deus - Recife / PE
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 - Santo Amaro - CEP. 50040 - 000 Fone: 3084 1524
LIÇÃO 07 - A FÉ SE MANIFESTA EM OBRAS - 3º TRIMESTRE 2014
(Tg 2.14-26)
INTRODUÇÃO
Em Tiago 2.14-26 vemos o apóstolo chamando a atenção dos cristãos quanto a práticas das boas obras como demonstração da fé que professavam ter em Cristo. Tiago é enfático ao asseverar que a fé sem as obras é morta. Na verdade a exortação quanto a prática da fé não é apenas um ensinamento peculiar do apóstolo, mas que faz parte do Novo Testamento e é perfeitamente aplicável a todo e qualquer servo de Deus.
I - DEFINIÇÕES
1.1 Fé. A palavra fé no hebraico é “heemim” e no grego é “pisteuõ”. A Bíblia diz que “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem” (Hb 11.1). “É a confiança que depositamos em todas as providências de Deus. É a crença de que Ele está no comando de tudo, e que é capaz de manter as leis que estabeleceu. É a convicção de que a sua Palavra é a verdade. Enfim, é a tranquilidade que depositamos no plano de salvação por Deus estabelecido, e executado por seu Filho no Calvário” (ANDRADE, 2006, p. 188).
1.2 Obras. A palavra obra no grego “ergon” denota “trabalho, ação, ato”. Ocorre frequentemente indicando as ações humanas, boas ou ruins (Mt 23.3; 26.10; Jo 3.20,21; Rm 2.7,15; I Ts 1.3; 2 Ts 1.11). Pode-se dizer que as obras de que Tiago se refere é “tudo quando se faz, pela fé, visando a expansão do Reino de Deus. É a maior evidência de uma fé viva e eficaz. Pelas obras atesta-se a qualidade da fé” (ANDRADE, 2006, p. 282).
II - FÉ E OBRAS NA PERSPECTIVA DE TIAGO E DE PAULO
A passagem de Tiago 2.14-26 é a mais conhecida e mais debatida da epístola. Estes versículos, mais do que quaisquer outros, levaram Martinho Lutero (século XVI), a descrever este livro como “uma epístola que não passa de palha” por não mencionar a justificação pela fé mas pelas obras. A maior das dificuldades na interpretação surgiram por não se entender que Tiago não estava refutando a doutrina paulina da justificação pela fé, mas antes uma distorção dela o que Paulo também o fez (Rm 6.1,2). Na verdade, o que Paulo rejeita são obras sem fé (Gl 2.16); o que Tiago rejeita é a fé sem obras (Tg 2.14); Paulo nega a eficácia das obras antes da conversão (Ef 2.9); Tiago apela à necessidade das obras depois da conversão (Tg 2.18); Paulo declara como alguém é justificado (Rm 8.33); Tiago enfatiza como alguém deve viver depois de justificado (Tg 2.15-17); Paulo confirma a declaração por Deus da nossa retidão (Rm 5.1); Tiago fala da demonstração da nossa retidão (Tg 2.22); Abraão foi justificado porque creu em Deus (Rm 4.3); Abraão foi justificado porque obedeceu a Deus (Tg 2.21-24).
III - O ENSINO DO NT SOBRE AS OBRAS COMO EVIDÊNCIA DA FÉ
Tiago falou que nascemos da Palavra (Tg 1.18), ouvimos a Palavra (Tg 1.19),acolhemos a Palavra (Tg 1.21), mas devemos também praticar a Palavra (Tg 1.23). Ouvir a Palavra e falar a Palavra não substitui o praticar a Palavra. “O fato é que ninguém pode ser salvo mediante as obras, mas tampouco ninguém pode ser salvo sem produzir obras” (BARCLAY, sd, p. 87). A ênfase de Tiago sobre as obras que devem acompanhar a fé, tem a mesma característica de todo o ensino do Novo Testamento. Abaixo destacaremos alguns exemplos:
EXEMPLOS BÍBLICOS
O QUE ENSINAVAM
João Batista
Foi levantado por Deus para preparar o caminho do Senhor, chamando os homens ao arrependimento e exigindo deles frutos dignos disso (Mt 3.8). Confira também (Lc 3.11-14).
Jesus Cristo
Conclamou os seus seguidores a praticarem a justiça que os escribas e fariseus não observavam (Mt 5.20). Segundo Jesus, proceder conforme a justiça glorifica o Pai (Mt 5.16).
Paulo
Embora ensinou que os homens são justificados diante de Deus pela fé, Paulo exortou também que aqueles que estão em Cristo são novas criaturas (II Co 5.17), não devem mais andar segundo a carne (Rm 8.1), mas na prática das boas obras que Deus preparou para que praticássemos (Ef 2.10; Tt 2.14).
Pedro
Nas palavras do apóstolo Pedro, aqueles que se dirigem a Deus como Pai, devem andar em santidade e temor durante o período em que estiverem aqui na terra (I Pe 1.17).
João
Seguindo a mesma linha de exortação dos demais apóstolos, João também é contundente ao afirmar que“aquele que diz estar nele deve andar como ele andou” (I Jo 2.6). Leia ainda (I Jo 3.17-18).
IV - OS CINCO TIPOS DE FÉ SEGUNDO O APÓSTOLO TIAGO

TIPOS DE FÉ
DEFINIÇÃO
Fé fingida(Tg 2.14)
Pela exortação de Tiago, percebemos que nos seus dias haviam pessoas que se diziam cristãs “se alguém disser que tem fé”, no entanto, suas atitudes diziam o contrário (Tg 2.20). O apóstolo é contundente ao afirmar que se tal pessoa diz ter fé, mas não a demonstra através do seu comportamento, tal fé é fingida e insuficiente para salvar “porventura a fé pode salvá-lo?”.
Fé morta(Tg 2.17)
Para o apóstolo, ter fé e não ter obras, é possuir uma fé morta (Tg 3.17,20,26). A expressão “morta” usada por Tiago no grego é “nekrós” adjetivo de “nekys”, que quer dizer um cadáver. Por isso para ilustrar esta verdade, o apóstolo faz uma comparação com um corpo sem espírito (Tg 2.26).
Fé incompleta(Tg 2.19)
A crença na unicidade de Deus (que Deus é um só) era artigo fundamental do credo dos judeus (Dt 6). Tiago assegura que tal crença é boa. No entanto, somente a fé não é suficiente, pois sem as obras ela é incompleta (Tg 2.17-20). Este tipo de fé até os demônios possuem. A Bíblia diz que eles creem na unicidade de Deus (Tg 2.19); também acreditam na divindade de Cristo (Mc 3.11,12). Uma fé meramente intelectual e emocional põe o indivíduo apenas no patamar dos demônios.
Fé provada(Tg 1.3)
A fé de um salvo passa por testes a fim comprovar sua legitimidade (Tg 1.3). Assim como o patriarca Abraão creu em Deus, mas quando provado confirmou a sua fé na obediência total ao Senhor (Tg 2.21-24). O salvo não deve se alegrar com a tribulação mas com o que ela produz.
Fé aperfeiçoada(Tg 2.22)
Na concepção do apóstolo é a fé que se evidencia com boas obras em relação a Deus e no serviço ao próximo (Tg 2.14-26). A fé, somente Deus vê que o ser humano a possui, mas as obras são a parte visível da fé que pode ser contemplada pelos homens.

V - A RESPONSABILIDADE DO CRENTE NO CUIDADO COM OS POBRES E NECESSITADOS
Do ponto de vista de Tiago o cristianismo autêntico é aquele que se mostra, na prática, pela perseverança nas tribulações (Tg 1.3-20), pela obediência a Palavra em vez de meramente ouvir (Tg 1.21-25), pelo controle da língua (Tg 1.26), pelo amor de Deus ao próximo (Tg 1.27), pelo exercício da misericórdia para com todos, especialmente para com os necessitados (Tg 2.1-13). Em Tiago 2.14-26 ele nos fala sobre a fé sem as obras. O fato do apóstolo mencionar como ilustração desse assunto o despedir somente com palavras as pessoas carentes de vestes e comida, indica claramente que, ele ainda não terminou de lidar com a questão do desprezo pelos pobres (Tg 2.15,16). Nos ensinos de Tiago, vemos as seguintes observações quanto aos pobres: a) eles não deviam se achar inferior aos ricos (Tg 1.9); (b) não deveriam sofrer acepção (Tg 2.1-9); e, c) deveriam ser assistidos em suas necessidades (Tg 1.27; 2.15-17). Quanto a prática da benevolência com os carentes, Tiago deu as seguintes exortações:
5.1 Exortação a assistência aos órfãos e viúvas (Tg 1.27). Nos dias do NT, os órfãos e as viúvas tinham poucos meios de auto sustento; em muitos casos, não tinham ninguém para cuidar deles. Esperava-se da parte dos crentes que lhes demonstrassem o devido cuidado. Devemos procurar aliviar suas aflições e sofrimentos (Lc 7.13; Gl 6.10). “O termo visitar usado pelo apóstolo em Tiago 1.27 no grego “episkeptomai” indica mais que uma mera visita. Também indica a manifestação de simpatia e as dádivas para aliviar as necessidades” (CHAMPLIN, 2005, p. 33).
5.2 Exortação a caridade para com os pobres (Tg 2.15-17). Nos referidos versículos Tiago cita agora um outro exemplo: o “mal vestido e o faminto” que provavelmente alude a um irmão ou irmã, isto é, um membro da comunidade cristã que também pode passar por privações, mas que aquele que diz que “crê em Deus” deve socorrer estes irmãos necessitados não apenas orando por eles, mas agindo suprindo-lhes as devidas necessidades (Tg 2.15,16). Do contrário a fé que professa é inoperante e morta (Tg 2.19,20).
5.3 Exortação a prática da hospitalidade (Tg 2.25,26). Quando Tiago cita o exemplo de Raabe, a mulher prostituta de Jericó que acolheu em paz os espias, porque creu no Deus de Israel (Js 2.11). O apóstolo Tiago e o escritor aos hebreus citam-na como um exemplo de hospitalidade (Tg 2.25; Hb 11.31). O Aurélio diz que a palavra hospitaleiro “é a pessoa que dá hospedagem por bondade ou caridade”. O escritor estimula os cristãos a serem hospitaleiros sob a advertência de que “por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos” (Hb 13.2). Confira também (Rm 12.13; I Tm 5.10; Tt 1.7,8).
CONCLUSÃO
Como pudemos ver, a fé cristã não é estática, mas prática. Aqueles que professam ser cristãos são exortados pelo apóstolo Tiago a atestarem a sua fé em obediência total ao Senhor e no serviço ao próximo. Pois, a fé que não se preocupa, através de participação ativa, com as necessidades dos outros não é fé nenhuma.
REFERÊNCIAS
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  • BARCLAY, William. Comentário do Novo Testamento. PDF.
  • MOODY, D. L. Comentário Biblico de Tiago. PDF.

Publicado no Portal da Rede Brasil de Comunicação

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A Verdadeira Fé não faz Acepção de Pessoas


Publicado em 6 de Agosto de 2014 as 12:49:42 PM
TEXTO ÁUREO  = “Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e sois redargüidos pela lei como transgressores” (Tg 2.9).
VERDADE PRÁTICA = Na Igreja do Senhor, não deve haver acepção de pessoas, pois todos custaram o mesmo preço do sangue de Jesus e todos somos um nEle.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE = TÍAGO 2.1-13
INTRODUÇÃO
Em nossa cultura, é comum encontrarmos exemplos de acepção de pessoas em todas as áreas da sociedade. Que o Senhor nos ajude, de modo que, nas igrejas não haja distinção de pessoas pela condição econômica, social, de raça ou de sexo. Que aceitemos a todos como filhos de Deus, amados e salvos em Cristo Jesus.
1. A CONDENAÇÃO NA BÍBLIA
1. O que é acepção de pessoas. Segundo a Pequena Enciclopédia Bíblica, acepção de pessoas é a preferência de pessoa ou pessoas, em atenção à classe, qualidade, títulos ou privilégios”. Este é o significado do termo, utilizado por Tiago.
2. No Antigo Testamento.
a) Poucas referências. Não há muitas referências sobre o tema no Antigo Testamento. Entretanto, os poucos textos que aludem ao assunto, nos indicam que Deus determinava ao Seu povo que seguisse o Seu exemplo, não fazendo acepção de pessoas.
b) Deus não faz acepção de pessoas. Quando Moisés, o grande líder de Israel, se despediu do povo, dentre as instruções transmitidas, consta a exortação à obediência, na qual o Senhor orientava o povo a temê-Lo, amando e servindo-O (Dt 10.12). Concluindo, disse: “Pois o Senhor vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos Senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, [grifo nosso] nem aceita recompensas” (Dt 10.17).
c) Deus não quer a acepção de pessoas. Com todas essas qualidades divinas, Deus diz ao povo que não faz acepção de pessoas, indicando que assim deveriam proceder. Outros textos podem ser lidos como Jó 32.21 e 34.19.
3. No Novo Testamento. Nesta parte da Bíblia há mais referências sobre a condenação à acepção de pessoas.
a) Com relação a raças ou nacionalidades. Deus não faz acepção de pessoas, não levando em conta a raça ou etnia, nação, povo, ou língua. Pedro, ao chegar à casa de Cornélio, iniciou a pregação, dizendo: “Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo” (At 10.34,35).
Israel rejeitou a salvação de Deus. O Verbo Divino foi enviado (Jo 1.1,9,10), de modo que “. . .a todos quantos o receberam, deu- lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no seu nome” (Jo 1.12). Não temo mínimo sentido dizer que os negros, os africanos, foram pessoas escolhidas para serem rejeitadas por Deus, como queriam (e querem) alguns adeptos do apartheid, ou da discriminação racial e de cor. João viu “uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos e povos, e línguas, que estavam diante do trono e perante o Cordeiro…” (Ap 7.9).
b) Com relação à obediência. Deus “recompensará cada um segundo as suas obras”, dando “vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, e honra e incorrupção” (Rm 2.6,7); dando, porém, “indignação e ira aos que são contenciosos e desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade” (Rm 2.8); e, ainda, dando “glória, porém, e honra e paz a qualquer que faz o bem; primeiramente ao judeu e também ao grego” (Rm 2.10); “porque, para com Deus, não há acepção de pessoas” (Rm 2.11). A escolha dos judeus foi apenas prioridade e não acepção de pessoas, como lemos em Rm 2.10: “primeiramente ao judeu…”. Na verdade, “Deus amou o mundo…” (Jo 3.16a), e não somente a Israel. O que interessa para Deus é a aceitação de Sua Palavra, com obediência, em qualquer lugar do mundo.
c) Com relação à condição social. Os vv.2,3 alertam para a discriminação entre pobres e ricos na igreja, tomando o exemplo de alguém que, chegando à congregação, com anel no dedo, vestidos preciosos, é chamado “para cima”. cii- quanto o pobre é mandado Ficar “lá embaixo”. Paulo, exortou aos senhores e patrões de Efeso, quanto ao tratamento que deveriam  dar aos servos, lhes ordenou, com autoridade do Espírito Santo: ‘E Vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor deles e vosso está no céu e que para com ele não há acepção de pessoas” (Ef 6.9). Senhores e servos ou escravos dividiam a sociedade. Mas o evangelho levou a mensagem do respeito à dignidade humana, como nenhuma outra filosofia o fez. Paulo, em sua carta a Filemom, (Fm v.16), roga que o patrão, crente, receba o escravo fugitivo, mas convertido, não como escravo, mas como irmão em Cristo (vv.15,16).Só um cristão poderia conceber esse comportamento. Hoje, é importante que os patrões crentes tenham seus empregados (domésticos, funcionários, etc.) em respeito e honra, para testemunho do amor de Deus em seus corações.
d) Com relação à distinção por sexo. Ensinando sobre as mulheres no culto, Paulo diz que “nem o varão é sem a mulher, nem a mulher, sem o varão, no Senhor. Porque, como a mulher provém do varão, assim também o varão provém da mulher, mas tudo vem de Deus” (1 Co 11.11,12). Em GI 3.27,28, diz o apóstolo que entre os que foram revestidos de Cristo, “…não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”.
No Antigo Testamento, havia discriminação de sexo, não por orientação de Deus, mas pela influência da cultura oriental. Entre os judeus, a mulher era considerada inferior na vida religiosa. Josefo, historiador judeu, diz que naquele tempo entre os judeus, “uma centena de mulheres não vale mais do que dois homens”. Um rabino disse: “Eu te agradeço porque não nasci escravo, nem gentio, nem mulher”. Machismo puro. Quão diferente é no Cristianismo. Jesus valorizou o trabalho feminino (ler Mt 27.55; Mc 15.41; Lc 8.2-3). Nas epístolas paulinas, temos mulheres em destaque (ver 2 Tm 1.5; Rm 16.1-17).
e) Com relação à salvação. Há igrejas que pregam que Deus predestinou pessoas para serem salvas e outras, para serem irremediavelmente perdidas. O teólogo João Calvino ensinava que “é o decreto de Deus.., para alguns é preordenada a vida eterna, e para outros, a condenação eterna”. Isso vai de encontro ao caráter de Deus, revelado na Bíblia, que diz, como vimos acima, que “Deus não faz acepção de pessoas” (cf. Dt 10.17; Jó 34.19; At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9, 25; 1 Pe 1.17).
Não faz sentido nascerem dois bebês, na maternidade, e um ter uma “etiqueta” de salvo e, outro, a “etiqueta” de perdido. Cremos, sim, que Deus, em casos especiais, dentro de Sua soberania, escolhe pessoas com certos propósitos, como João Batista e Jeremias. Deus nos predestinou coletivamente como Igreja, e não individualmente, por acepção de pessoas (cf. Ef 1.11-13).
II. RAZÕES PARA NÃO SE FAZER ACEPÇÃO DE PESSOAS
1. Toda a humanidade foi criada por Deus. Deus criou o ser humano, homem e mulher, à Sua imagem e semelhança (Gn 1.27). Ambos receberam a imagem divina, independente do sexo. Ambos perderam a glória de Deus com a queda, e não pela condição de ser homem ou mulher. Deus fez a Terra e criou nela o homem (Is 45. 12). Ele não faz acepção de pessoas. Nós também não o devemos fazer.
2. Toda humanidade tem a origem comum em Adão e Eva. Paulo, em Atenas, discursando no Areópago, disse que Deus “de um só fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra…” (At 17.26a). Por influência de condições genéticas, climáticas e de outra ordem, foram- se reunindo as raças, e sendo espalhadas pela Terra, mas todos vêm da mesma origem.
3. Em Cristo, todos somos um. O brasileiro, resultante da miscigenação do índio, do europeu e do negro; os asiáticos, de cor amarela; os japoneses, de olhos amendoados; os chineses de olhos apertados; os europeus, louros e de olhos azuis; os africanos de cor negra e dentes bem brancos, enfim, todos de qualquer raça, aparência ou cultura, quando salvos, são um em Cristo Jesus (GI 3.28).
CONCLUSÃO
A acepção de pessoas por condição social, econômica, familiar ou de outra ordem é comportamento incompatível com o caráter inclusivo do evangelho. Jesus veio trazer salvação, amor e paz para todos os que crêem, em qualquer nação, raça ou povo do mundo. Que Deus nos abençoe, não permitindo a discriminação de pessoas em nosso meio. Para combater a acepção de pessoas, precisamos fazer três coisas: amar a todos igualmente (inclusive os não- crentes); tratar a todos com eqüidade e mostrar que os preconceitos são contrários a Deus.
Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de JesusIgreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados - MS
LIÇÕES BIBLICAS CPAD 1999
O PECADO DA DISCRIMINAÇÃO = Tg 2. 1-13
Apesar do racismo, do regionalismo, do machismo, e a separação por níveis culturais ou econômicos estar continuamente presente na sociedade, a recomendação do Espírito Santo através do ensino de Tiago, é que um seguidor de Cristo não pode fazer acepção de pessoas.
I.      A IGREJA DEVE EVITAR O PRECONCEITO
O termo “preconceito” pode ser definido como conceito (ou opinião) formado antecipadamente, apressadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; idéia preconcebida; é uma espécie de julgamento ou opinião formada sem levar em conta o fato que o contesta. E um grande mal, esse do preconceituoso, pois comete falta grave ao discriminar as pessoas. Quanto a isto, o ensino de Tiago (2.1-7) é de que:1. A Igreja sofre a tentação de discriminar as pessoas (vv.1,2).Notemos que Tiago está escrevendo aos crentes, à Igreja, e isso é evidente por causa do tratamento dado aos destinatários. Ele os chama de irmãos. O termo “ajuntamento” é uma referência à sinagoga dos seus dias, e que transposto para os nossos dias, equivale ao templo onde cultuamos a Deus.
Evidentemente não estaremos sendo realistas e muito menos sinceros se não admitirmos que distinguir com honras as pessoas mais importantes tem sido, hoje, como no passado, uma tentação constante para a Igreja de Cristo. Em algumas de nossas igrejas este fato é vergonhosamente constatado, principalmente em períodos de campanhas eleitorais
2. A Igreja não deve adular os poderosos (v.2). Tiago parece nosso contemporâneo, membro de uma de nossas igrejas, sentado num dos bancos no meio da congregação. De momento ele vê adentrar ao templo um homem rico, com anéis de ouro, bem vestido, Entra também um pobre com roupas velhas e remendadas. O rico é chamado a sentar-se num lugar de destaque, sendo político pode até ter assento no púlpito. Já o pobre não tem problema, fica em pé mesmo. Diante de tal procedimento, indaga o apóstolo: “Porventura não fizestes distinção dentro de vós mesmos, e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?” (2.4).
3. Deus escolheu os pobres para fazê-los ricos na fé (v.5).Certamente não há no texto qualquer indício de que Deus tenha rejeitado os ricos, ou seja, contra eles. Tampouco defende o texto a idéia de que a riqueza seja pecado e a pobreza uma virtude. A aparente preferência de Deus pelos pobres se deve ao fato de que estes, via de regra, são mais abertos à graça de Deus, e mais acessíveis ao evangelho do que os ricos. É por isso que desde o principio “não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que. são chamados” (I Co 1.26).
4. Ao distinguir o rico, a Igreja desonra o pobre (vv.6,7). Tiago não concordaria com algumas correntes teológicas contemporâneas (como a chamada Teologia da Libertação, por exemplo) que “sacramentam” o pobre, tornando-o objeto exclusivo do favor de Deus, voltando-se contra os mais aquinhoados economicamente.
O que Tiago mostra é que a bajulação aos ricos é imprópria à Igreja. Não devemos adular os ricos, os poderosos, O triunfo do Evangelho e da Igreja independe deles. Não podemos esposar dois evangelhos: um para dizer aos desafortunados que eles devem se arrepender de seus pecados, senão irão para o inferno; e outro, para dizer aos afortunados que nos sensibilizamos com suas visitas aos nossos templos. Alguém disse que “a Igreja não está no mundo para fazer relações públicas, mas para entregar um ultimato”.
II.   A DISCRIMINAÇÃO É ATENTATÓRIA A LEI DE DEUS
Tiago enfoca neste ensino duas leis que governam a vida do cristão: as leis do amor e da liberdade. Em ambas reside á cura para o mal da discriminação. Tiago conclui ensinando (2.8-13), entre outras coisas, as seguintes:
1. O amor ao próximo (v.8). Amar ao próximo como a nós mesmos, independentemente da classe social a que ele pertença, se constitui no cumprimento da “lei real”. Neste caso todos devem ser alvo do nosso amor, seja rico, ou seja, pobre.  Jesus ensinou, com seus atos, que Deus amou o mundo com amor imensurável  (Jo 3.16). Ele viveu de acordo com os Seus ensinos e deixou-nos o exemplo que devemos imitar
2. Não devemos discriminar as pessoas (v.10). Nesta seção entra a discriminação ao negro, ao estrangeiro, ao doente e ao necessitado de um modo geral. Tiago acrescenta que as pessoas que praticam qualquer tipo de discriminação serão responsabilizadas e julgadas como transgressoras da lei de Deus.
3. Quem discriminar qualquer pessoa será réu de juízo (v.11). O pecado de discriminação, como qualquer outro, assume proporções graves na medida em que ele não significa transgressão apenas a um ponto isolado da lei, pois fere todo o preceito divino. O apóstolo Paulo divinamente inspirado escreveu: “O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm 13.10).
“Assim falai, e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade” (2.12). Leia também Rm 2.11-16; Cl 3.23-25.
4. Devemos agir movidos pela misericórdia (v.13). Amar os homens como eles são e onde estão, demanda esforço e misericórdia da nossa parte.
Não importa o que isto possa representar para a Igreja; ela deve empenhar-se no sentido de congregar os homens e deve fazê-lo misericordiosamente. A sentença do Espírito Santo através de Tiago é que “o juízo [o juízo de Deus] será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia…” (v.13).
III.                        CONCLUSÃO
1. A Igreja não deve fazer acepção de pessoas. Uma vez que Deus não faz acepção de pessoas (Dt 10.17,18; Mt 5.45; At 10.34), a Igreja também não deve fazer discriminações, criando castas entre seus membros. Tal modo de agir pode trazer divisão ao corpo de Cristo. Leia I Co 12.25.
2. A Igreja não deve privilegiar o rico em detrimento do pobre. O rico não é mais nem menos digno de honra do que o pobre. A dignidade, a honradez não se mede pela riqueza nem pela pobreza, mas, sim, pelo caráter do individuo. A Igreja não é um clube cuja grandeza é medida pelo nível social de seus freqüentadores. Todas as pessoas são iguais aos olhos de Deus, pelo seu valor intrínseco.
3. A Igreja não se divide em classes, ela nivela as pessoas (I Co 12.13,14, 18,25;Ef 4. 1-6). Deus espera que a Igreja em tudo seja a agência continuadora da ação amorosa do Seu Filho Jesus Cristo, no mundo.
Para isto Ele derramou, pelo seu Espírito, o amor, “vínculo da paz”, em nossos corações (Rm 5.5; Ef 4.3).
Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados - MS
Lições bíblicas CPAD 1989
A VERDADEIRA FÉ NÃO FAZ ACEPÇÃO DE PESSOAS
TEXTO ÁUREO = “Quando menos àquele que não faz acepção das pessoas de príncipes nem estima ao rico mais do que ao pobre; porque todos são obras de suas mãos”. Jó 34.19
VERDADE APLICADA = O maior pecado contra nossos semelhantes é mostrar indiferença por eles, sendo essa a essência da desumanidade.
TEXTOS BIBLICO = TIAGO 2: 1-5
No capítulo 2, Tiago expande os temas do mundanismo e do cuidado das viúvas. O mundanismo sobressai não apenas como ambição pessoal, mas também na exagerada consideração que a igreja demonstra a alguém que detém poder e alta posição mundana, em vez de avaliar a pessoa na base de sua posição espiritual em Cristo.
2:1 Meus irmãos define o reconhecimento dos leitores da carta como membros da igreja, não façais acepção de pessoas. A despeito de o Senhor Deus não ter parcialidade (Deuteronômio 10:17; Galatas 2:6), os seres humanos que a ele servem, sob sua autoridade, e que se supõe terem copiado seu caráter, precisam ser continuamente advertidos contra a parcialidade (e.g., Deuteronômio 1:17; Levítico 19:15; Salmo 82:2; Provérbios 6:35; 18:5).
Basta um olhar rápido às pessoas eleitas para cargos na igreja, e um breve exame de quem dirige as comissões e concílios denominacionais, para sabermos de imediato que, não obstante a opinião bastante negativa de Jesus a respeito da riqueza (e.g., Mancos 10), a reprovação de Tiago ainda tem relevância hoje. A igreja não deveria mostrar parcialidade, nenhum interesse com respeito à beleza externa, à riqueza material e ao poder ou à influência da pessoa.
Isto é o que a bíblia exige de nós como crentes em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória. A única base da igreja é a fé num Senhor único. A fé e a fidelidade no compromisso ao Senhor é o que salva tanto ricos como pobres, igualmente, e todos votam lealdade a um Senhor cuja vida e ensino desprezaram, na verdade, quaisquer posições mundanas. E, acima de tudo, este é um Senhor que vive, que foi exaltado em glória, que vai voltar a fim de manifestar seu poder e glória e julgar o mundo. Demonstrar parcialidade é violar o caráter do Senhor, é insultá-lo, e certamente é grave pecado.
2:2-4 Havendo declamado seu tema, Tiago fornece-nos um exemplo baseado em acontecimentos realistas (ainda que hipotéticos) da igreja.Se na vossa reunião entrar algum homem com anel de ouro no dedo, e com trajes de luxo: tais palavras descrevem uma pessoa que entra vestida de trajes luxuosos (lit, “brilhantes”). O anel de ouro no dedo indica sua riqueza. Pode-se até sentir a deferência incômoda com que o trata o grupo presente. A seguir, entra também algum pobre andrajoso. Só possui as roupas do corpo, pelo que estão sujas e esfarrapadas. Acostumado à rejeição, o coitado espreita à porta, sen­tindo que as pessoas reunidas o evitam, o que ele já esperava; ó péssimo estado de seu vestuário declara-o lixo humano; sem valor nenhum sob o prisma mundano.
A igreja reage à situação econômica do rico: Assenta-te aqui em lugar de honra. O rico acomodasse na cadeira mais confortável, sob os sorrisos complacentes de todos os presentes. O pobre, por Sua Vez, é recebido com frieza: Fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do estrado dos meus pés. A sala está repleta; que esse pobretão reverencie aos que lhe são superiores, permanecendo de pé, ou mesmo sentando-se a seus pés. A maior parte dos presentes, naturalmente, finge que não notou sua presença.
O que torna tal tratamento ainda pior é que as duas partes assim retratadas estão numa reunião judicial; a igreja reuniu-se em tribunal para julgar certa pendência legal entre os dois homens. As minúcias dás roupas diferentes, das posições sociais diferentes è dos locais diferentes em que se acomodam encontram paralelos na prática jurídica judaica. Em 1 Coríntios 6:1-11 mencionam-se tais assembléias, que teriam autoridade legal, visto que por essa altura a igreja era vista como uma seita judaica, e as sinagogas tinham autoridade em seus tribunais (beth-din) para impor multas ou punições físicas. É certo que em outras situações (e.g., no culto publico) á postura física das pessoas nas reuniões dá igreja era uniforme (todos sentados ou de pé), sendo prescritas com maior cuidado as funções de cada pessoa. Todavia, esses dois crentes enfrentam uma disputa judicial, é fica bem claro perante a igreja desde o começo: não sé pode ofender o rico.
Tiago condena esse comportamento por duas razões: primeira, fazeis distinção entre vós mesmos. Em Cristo haviam sido todos unificados - eram um em Cristo. Nele não há grego nem judeu, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, mas todos são um, uma única pessoa em Cristo (Gálatas 3:28). Entretanto; aquela igreja estava desprezando esse fato, por conveniência carnal, fazendo distinção com base nas riquezas e nas posições sociais mundanas, renegando o efeito prático da obra de Cristo.
Em segundo lugar, os homens daquela congregação tornaram-se juizes movidos de maus pensamentos. Há uma infinidade de pas­sagens do Antigo Testamento que nos advertem contra o preconceito no tribunal, como, por exemplo: “Não farás injustiça no juízo; não favorecerás ao pobre, nem serás complacente com o poderoso, más com justiça julgarás o teu próximo” (Levítico 19:15). Se, como afirma o Antigo Testamento, Deus é juiz imparcial, e se os judeus afirmavam julgar de acordo com os padrões de Deus, como se atrevem a agir de modo injusto, favorecendo preconceituosamente o rico porque lhe cobiçam a riqueza e o poder?
Ao examinarmos o exemplo específico que Tiago nos apresenta, entretanto, não devemos desprezar a aplicação mais abrangente. Tiago ficaria mais feliz se o pobre fosse tratado com desprezo num culto público? Ficaria o pobre menos prejudicado se o tratamento preferencial dado ao rico significasse que este fora guindado a posição de liderança na igreja?
Ou será que a discriminação se tornaria menos ostensiva se o conselho da igreja ouvisse com a máxima atenção “a prima dona”, mas em­purrasse para o lado as reivindicações do pobre? Conquanto estejamos diante de um exemplo específico, ele funciona como condenação geral do comportamento discriminatório.
2:5 Tiago inicia seu ataque lógico contra essa prática (2:5-7) com um apelo: Ouvi, meus amados irmãos, e chama-lhes a atenção para o fato de estar referindo-se a algo de que já têm conhecimento: Não escolheu Deus aos que são pobres? Tiago emprega a terminologia familiar da eleição, com que Israel estava acostumado (Deuteronômio 4:37; 7:7), como também a igreja (Efésios 1:4; 1 Pedro 2:9), mas aplica-a de modo específico aos pobres. A maior parte dos membros da igreja primitiva era constituída de pobres (”não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados” [1 Coríntios 1:26]); a igreja de Jerusalém era bastante pobre (2 Coríntios 8:9).
Mas Tiago está dizendo mais do que isso. Deus elegeu de modo especialaos que são pobres aos olhos do mundo (pois só são pobres segundo os padrões de valor do mundo) para serem ricos na fé e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam. Por um lado, isso torna o pobre quase igual àquele que suporta a provação, em 1;2, visto que ambos recebem aquilo que Deus prometeu aos que o amam. Por outro lado, Tiago está aplicando o ensinamento de Jesus, visto que foi o Senhor quem disse que havia vindo de modo particular “para evangelizar os pobres” (Lucas 4:18) e depois: “Bem-aventurados vós, os pobres, pois vosso é o reino de Deus” (Lucas 6:20).
Jesus selecionara os pobres como os especialmente contemplados com o seu reino; Tiago apanha essa idéia e acrescenta: aos que o amam, a fim de limitar a promessa aos pobres que reagem em amor diante da mensagem do evangelho; Se há favoritos aos olhos de Deus, esses são os pobres, visto que Deus os vê de modo bem diferente do mundo. O mundo os enxerga como pobretões desprezíveis, sem importância, mas para Deus eles são ricos na fé e herdeiros do reino - o contrário da perspectiva mundana.
2:6-7 A igreja não tem a perspectiva de Deus: vós desonrastes o pobre. Deus condena o mesmo crime no Antigo Testamento (e.g„ Provérbios 14:21; çf. Siraque 10:22). A igreja que envergonha o pobre de certo modo (e.g., 1 Coríntios 11:22) abandonou a vontade de Deus e deixou de agir em prol de Deus.
Entretanto, a igreja decidiu mostrar preferência pela classe rica, que a oprime. Primeiro, são os ricos que vos oprimem. A idéia de que os ricos e poderosos exploram os pobres tem raízes profundas no Antigo Testamento (Jeremias 7:6; 22:3; Ezequiel 18:7; Amos 4:1; 8:4; Malaquias 3:5). Quando o pobre precisava de um empréstimo, o rico lho concedia -com juros elevador (a despeito de a extorsão de juros, i.e., obter lucros mediante a desgraça do necessitado, ser prática condenada, e.g., Êxodo 22:25-26). Em surgindo uma disputa, o rico contratava o melhor advogado; ambos se associavam, de modo que o pobre se tornava mais pobre, e o rico, mais rico.
Em segundo lugar, os ricos vos arrastam aos tribunais. Quando o pobre não podia restituir um empréstimo ao rico, este o arrastava ao tribunal para que fosse decretada a falência do pobre. O rico podia levar acusações caluniosas contra os que reclamassem, e talvez acua­ssem os cristãos de perturbarem a tranqüilidade e a ordem da comunidade. Estas seriam as maneiras pelas quais os cristãos sofriam perseguições, que se resumiam na opressão de todos os pobres pelos ricos; às vezes, contudo, os cristãos eram discriminados porque sua religião os tornava muito vulneráveis - que juiz se sentiria mal em tratar com maior dureza os seguidores de um galileu desprezível?
Em terceiro lugar, os ricos são os que blasfemam o bom nome daquele a quem pertenceis. Agora Tiago acrescenta uma acusação de natureza religiosa. O nome de Jesus havia sido outorgado aos cristãos, ou (de modo mais literal) em seu nome haviam sido batizadas. Agora os cristãos “pertencem” a Cristo. Seu Senhor é Cristo. Todavia, os ricos falam mal desse nome, quando escarnecem de Jesus ou quando insultam seus seguidores. Não está esclarecido se faziam isso no tribunal, como parte do processo opressivo, ou se estavam insultando a Cristo nas sinagogas e nas praças. Nem uma nem outra ação era justa.
Entretanto, a igreja também tomara a decisão de insultar os pobres (a quem Deus honra), é desse modo, decidiu favorecer os ricos, identificando-se com a classe opressora. Com freqüência acontece que o grupo oprimido assume as características de seus opressores; quando isso acontece à igreja, o fato não é apenas patético è irônico, mas constitui uma inversão moral, visto que as pessoas que tomaram sobre si o nome de Cristo agem, agora, à semelhança das que blasfemam do nome de Cristo.
Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de JesusIgreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados - MS
BIBLIOGRAFIA
Bibliografia Davids
Publicado no Blog do Ev. Isaías de Jesus


quarta-feira, 30 de julho de 2014

O Cuidado ao Falar e a Religião Pura IEAD-PE


Igreja Evangélica Assembleia - Recife / PE
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 - Santo Amaro - CEP. 50040 - 000. Fone: 3084 1524
LIÇÃO 05 - O CUIDADO AO FALAR E A RELIGIÃO PURA - 3º TRIMESTRE 2014
(Tg 1.19-27)
INTRODUÇÃO
Estudaremos nesta lição o ensino do apóstolo Tiago sobre os perigos da falta de controle no uso da língua; veremos também que devemos ter o máximo de cuidado com nosso temperamento para não dar ocasião ao diabo inflamar uma ira excessiva em nosso coração; e por fim, concluiremos analisando que a verdadeira religião consiste não só em palavras, mais também em ação fraternal.
I - DEFINIÇÃO DA PALAVRA LÍNGUA
A língua é um órgão do corpo humano, cuja função principal está relacionada a fala. É em face dessa atribuição que esse membro do corpo aparece na Bíblia como uma poderosa força. Afirma-se que a morte e a vida estão no seu poder (Pv 18.21). Tiago elabora isso quando se refere à língua como indomável e um mal incontido, cheio de veneno mortal (Tg 3.8) e como fogo, um mundo de iniquidade (Tg 3.6). Paulo, por sua vez, refere-se à língua como um instrumento de engano (Rm 3.13), caracterizando o homem não regenerado. Jesus ensinou que os homens terão de prestar contas, finalmente, de sua vida na terra, incluindo “toda palavra frívola que proferirem”(Mt. 12.36). (MERRILL, sd, Vol. 3. p. 933).
II - ANALISANDO O TEXTO DE TIAGO: O CUIDADO AO FALAR
A sabedoria nem sempre consiste em ter algo a dizer. Ela envolve o ouvir cuidadosamente, o refletir piedosamente, e o falar mansamente, pois quando falamos demais é porque ouvimos pouco. Pessoas que falam muito tendem a errar muito e Tiago nos adverte sabiamente para revertermos este processo. Vejamos:
2.1 “Portanto, meus amados irmãos, todo o homem SEJA PRONTO PARA OUVIR…” Tg 1.19-a. A expressão “seja pronto para ouvir” é uma bela maneira de traduzir a ideia de uma audição sábia e ativa. Não devemos simplesmente deixar de falar; devemos estar prontos e dispostos mais para ouvir. Deus não nos impede de falar, mas pede que o façamos de forma coerente e com sabedoria. “o que guarda sua boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios tem perturbação” (Pv 13.3). Já diz o adágio popular: “Temos dois ouvidos mas somente uma boca, assim podemos ouvir mais e falar menos”. Portanto, devemos ouvir duas vezes mais do que falar. Muitos de nós bem faríamos em esperar e ouvir mais, e falar menos (Sl 141.3; Pv 10.19; Pv 13.3; Pv 17.28; Pv 29.20) (BARCLAY, sd, p. 66). Quanto ao uso da fala e o uso apropriado da linguagem, podemos ver nos seguintes Salmos (Sl 5.9; 12.2; 15.3; 17.3; 34.12; 35.28; 36.3; 39.9; 55.21; 64.4; 66.17; 73.9; 94.1; 101.5; 109.2; 119.172; 120.3,4; 139.4 e 141.3). O filósofo grego Xenócrates que viveu em 396 - 314 a.C e que acompanhou Platão dizia:“Tenho-me arrependido muitas vezes por ter falado, mas nunca por ter guardado silêncio” (CHAMPLIN, 2004, p. 2501).
2.2 “…tardio para FALAR, tardio para se IRAR” Tg 1.19-b. O conselho de Tiago é que também deveríamos ser tardios para nos irarmos. Há uma conexão íntima entre o ouvir e o falar; também entre o falar e a ira. Aquele que ouve mais atentamente entende melhor o seu próximo; entender leva a um falar ponderado e a uma resposta branda que “desvia o furor” O falar impensado, por outro lado, com frequência produz a palavra pesada que “suscita a ira” (Pv 15.1). A ira é um profundo sentimento de ódio e rancor contra a outra pessoa. Uma vez descontrolada, ela não produz a justiça de Deus, mas uma justiça segundo o critério da pessoa que sofreu o dano: a vingança. Vejamos algumas verdades sobre este tema:
2.2.1 Podemos dizer que há dois tipos de ira: a justa (Ef 4.26) e a injusta (Ef 4.31). “A única ira que o homem pode ter é uma ira que Cristo sentiu” (Mc 3.5). Esse tipo de ira não é a expressão de uma petulância particular, mas de um ressentimento público contra o comportamento e as ações que levam outros a sofrer sem culpa da pessoa irada” (HARPER, 2008, Vol. 10. pp. 161-162). Em Efésios 4.26 o apóstolo Paulo também instrui sobre a ira que é dada no contexto de uma citação literal do Sl 4.4-a:“Perturbai-vos e não pequeis…” Com essas palavras Paulo lembra, em tom de exortação, a rápida transição da ira para o pecado.
2.2.2 A Bíblia não diz que não devemos nos irar, mas ela mostra que é importante controlarmos adequadamente este sentimento: “irai-vos e NÃO pequeis; NÃO se ponha o sol sobre a vossa ira. NÃO deis lugar ao diabo” (Ef 4.26,27). É interessante notarmos que Paulo qualifica sua expressão permissiva ao sentirmos ira com três advérbios negativos, a saber: Irar sem pecar; não conservar a ira no coração e não dar lugar ao Diabo. De acordo com o livro de Deuteronômio, o pôr-do-sol é a hora em que todo o mal contra Deus e contra os outros deve ser corrigido (Dt 24.13,15). Não devemos ceder aos nossos sentimentos de ira ou permitir que eles nos levem ao ódio. Jesus Cristo enfureceu-se com os mercadores no Templo, mas esta era uma ira justa, e por isso, não o levou a pecar (Mt 21.12,13; Mc 11.15,16; Lc 19.45-48).

2.3 “Porque a ira do HOMEM não opera a justiça de DEUS” Tg 1.20. Esses dois elementos citados “ira do homem e justiça de Deus” estão extremamente distantes um do outro. A ira do homem pode ser justa aos seus próprios olhos, mas isso não significa que ela é justa aos olhos de Deus. E um momento de indignação pode colocar muitas coisas a perder na vida de um cristão além de não garantir a bênção de Deus.
2.3.1 Deus não se deixa levar pela raiva humana, ainda que essa aparente ser lícita ou justa. E se a ira humana fosse o referencial para que Deus agisse, não faltaria julgamento divino para todas as pessoas (COELHO; DANIEL, 2014, pp. 61-62).
A ira fecha as nossas mentes à verdade de Deus (2Rs 5.11; Pv 10.19; 13.3; 17.28; 29.20). É a ira que explode quando os nossos egos estão inflamados. Quando a injustiça e o pecado acontecem, é até normal que fiquemos irados, mas não devemos nos irar quando deixamos de “ganhar” uma discussão, ou quando nos sentimos ofendidos ou negligenciados. A ira egoísta nunca ajuda ninguém (Ec 7.9; Mt 5.21-26; Ef 4.26).
2.4 “Por isso, rejeitando toda a imundícia e superfluidade de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas” Tg 1.21. Tiago convida a seus leitores a desprender-se de todo vicio e imundície. A palavra traduzida como “despojando-vos” é a mesma que literalmente significa “despojar-se das roupas que se está usando”. O apóstolo estimula a seus ouvintes para que se desprendam de toda imundície; assim como a pessoa se desprende de suas roupas sujas. As duas palavras que Tiago usa para significar imundície são vocábulos muito expressivos. A palavra traduzida como imundície éruparia” e pode ser usada para significar a sujeira que mancha as roupas ou a que mancha o corpo. Mas, além disso, uma muito interessante particularidade. Trata-se de um derivado do vocábulo rupos” que, usado em sentido médico, significa “cera no ouvido”. É possível que até aqui mantenha esse significado, de maneira que o escritor sacro estaria dizendo a seus leitores que se despojem de tudo o que possa enclausurar seus ouvidos à verdadeira Palavra de Deus (BARCLAY, sd, p. 68 - grifo nosso).
2.5 “E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos” Tg 1.22. Tiago argumenta que olhar para a Palavra de Deus e não agir de acordo com o que está escrito, significa que encontramos nas Escrituras não tem significado para nós. Se lemos e ouvimos a Palavra de Deus e não praticamos o que ela diz estamos dizendo que o que Deus falou não tem importância alguma para nossas vidas. Não pode haver incoerência entre o que se “diz” e o que se “faz” para quem é discípulo de Jesus. Tiago nos desafia em seu escrito a sermos praticantes da Palavra, e não apenas ouvintes. Primeiro ouvimos o discurso e depois o praticamos. Não é razoável ler, estudar e ouvir a Palavra de Deus se não temos o objetivo de seguir o que ela nos apresenta (COELHO; DANIEL, 2014, pp. 64-65). O verdadeiro crente pratica a Palavra (Tg 1.22-25). Não basta ouvir ou ler a Palavra, é preciso praticá-la. Não basta apenas o conhecimento da verdade, é necessário também a prática da verdade. Muitos crentes marcam sua Bíblia, mas a Bíblia não os marca.
2.6 “Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural” Tg 1.23. A Palavra aqui é comparada não com a semente, mas com o espelho. O principal propósito do espelho é o autoexame. Quando olhamos para dentro da Palavra e compreendemos o que ela diz, conhecemos a nós mesmos: nossos pecados, nossas necessidades, nossos deveres e suas recompensas. Ninguém olha no espelho e logo vai embora sem fazer uma autoanálise. Quando olhamos no espelho, descobrimos que tipo de pessoa somos e como estamos. Muitas pessoas leem a Bíblia todo dia, mas não são lidas por ela, não a observam. Muitos leem por um desencargo de consciência, mas não se afligem por não colocar sua mensagem em prática.
III - ANALISANDO O TEXTO DE TIAGO: A RELIGIÃO PURA
3.1 “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações…” Tg 1.27-a. O cuidado pelos órfãos e as viúvas é uma ordem do AT como uma forma de imitar o cuidado do próprio Deus com estas pessoas, “pois ele é o pai dos órfãos e defensor das viúvas” (Sl 68.5; Is 1.10-17). Já nas páginas do NT, Jesus condenou de forma contundente os escribas e fariseus, que desrespeitavam as viúvas e as exploravam financeiramente (Mt 23.14; Lc 20.47).
Isso demonstra o zelo e o cuidado que ele tinha por esta classe tão sofrida. A Bíblia nos mostra que devemos honrar as verdadeiras viúvas (ITm 5.3; At 6.1). O apóstolo Tiago nos informa que o cuidado com essas mulheres aparece na definição do que vem a ser a verdadeira religião (Tg 1.27). Os cristãos que professam uma religião pura irão imitar seu Pai, intervindo para ajudar os desamparados.
3.2 “…e guardar-se da corrupção do mundo” Tg 1. 27-b. Além de visitar órfãos e viúvas nas suas necessidades, é preciso que nos resguardemos da corrupção do mundo. É possível que uma pessoa corrupta faça atos de caridade em prol dos mais desassistidos. No entanto, aqueles que têm uma religião pura e imaculada se guardarão da corrupção do mundo. O guardar-se incontaminado do mundo significa evitar que pensemos e ajamos de acordo com o sistema de valores da sociedade que nos cerca.
CONCLUSÃO
Nessa lição aprendemos sobre o cuidado que devemos ter com o ouvir e o falar. Estudamos também acerca da religião pura e imaculada que alegra a Deus: visitar os órfãos e as viúvas nas tribulações e guardarmo-nos da corrupção do mundo. Que os nossos ouvidos estejam prontos para ouvir, a nossa língua para falar sabiamente e a nossa vida para praticar tudo quanto aprendemos do Evangelho. Embora estejamos em um mundo turbulento, devemos exalar o bom perfume de Cristo por onde quer que andemos (2Co 2.15).
REFERÊNCIAS
COELHO, A; DANIEL, S.Fé e Obras: Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. CPAD.
CHAMPLIN, R. N. Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo.Hagnos.
BARCLAY, W. Comentário Biblico de Tiago. PDF
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
TENNE, C. M. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã.
HARPER, A. F. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Vol. 10. CPAD.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

O Cuidado ao Falar e a Religião Pura




3º Trimestre de 2014

Lição 5

3 de Agosto de 2014



TEXTO ÁUREO

“[...] Mas todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tg 1.19). Embora a comunidade cristã dê muito valor ao talento da eloquência, Tiago coloca a ênfase sobre o ouvir. Aquele que ouve atentamente a palavra da verdade progride na vida.


VERDADE PRÁTICA

As nossas palavras podem, ou não, evidenciar a sabedoria de Deus.


HINOS SUGERIDOS

101, 185, 376.


LEITURA DIÁRIA

Segunda - Êx 19.5
Ouçamos a voz do Senhor
S
Terça - Ec 3.7
Tempo de falar e de calar
T
Quarta - Ef 4.26,29
A ira é uma porta para o pecado
Q
Quinta - 1 Pe 1.23-25
Gerados em amor pelo poder da Palavra
Q
Sexta - Sl 68.5
Deus é Pai dos órfãos e juiz das viúvas
S
Sábado - Ef 1.3-6
Santos e irrepreensíveis em amor
S


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Tiago 1.19-27
19 ¶ Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.
20 Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.
21 Por isso, rejeitando toda a imundícia e superfluidade de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas.
22 E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.
23 Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural;
24 Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era.
25 Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito.
26 Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã.
27 A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.
OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
  • Aprender sobre estar "pronto para ouvir" e "tardio para falar".
  • Compreender a importância de ser praticante, e não só ouvinte.
  • Saber qual é a religião pura e verdadeira.

PALAVRA CHAVE
Religião: Geralmente caracteriza-se pela crença na existência de um poder ou princípio superior, sobrenatural, do qual depende o destino do ser humano e ao qual se deve respeito e obediência..
COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Na lição dessa semana vamos estudar a maneira adequada de o crente usar um instrumento maravilhoso, mas ao mesmo tempo, potencialmente perigoso: a fala. Este assunto está interligado à temática da verdadeira religião que agrada a Deus. O fenômeno da fala é uma das fontes de expressão do pensamento humano, como também é responsável pelo processo de comunicação e de formação da identidade cultural de uma sociedade. As pessoas querem falar às outras àquilo que pensam. O crente, todavia, tem o compromisso de não apenas falar o que pensa, mas agir como propõe o Evangelho. [Comentário: Dizendo “se alguém não tropeça em palavra”, Tiago focaliza um pecado especial que o preocupa: a língua solta. A necessidade de controlar a língua era bem conhecida no judaísmo e no cristianismo (Pv 10.19; 21.23; Ec 5.1). Tiago salienta aqui, como o fez em 1.26, a importância de controlar a língua, pois afirma a respeito de quem for capaz de domá-la: esse homem é perfeito, e capaz de refrear todo o corpo. Isto significa que tal pessoa é madura, tem caráter cristão completo (1.4) e, assim, capacitada a enfrentar todas as provações e tentações, e a controlar todos os impulsos maus (1.12-15). Tiago caminha um passo à frente dos rabinos. O controle dos maus impulsos é bom, concordando com o que diz Paulo em 1 Coríntios 9.24-27, mas os impulsos mais difíceis de controlar são os da língua. Mantenha pura a fala, e o resto será fácil; eis a marca do cristão maduro. Cristo ensinou que os homens terão de prestar contas, finalmente, de sua vida na terra, incluindo «toda palavra frívola que proferirem» (Mt 12.36). Tudo isso ilustra o quanto precisamos da graça de Deus. O uso da linguagem é uma questão importante. Esta enciclopédia contém um artigo intitulado Linguagem.]Tenhamos todos uma excelente e abençoada aula!

I. PRONTO PARA OUVIR E TARDIO PARA FALAR (Tg 1.19,20)

1. Pronto para ouvir. Para alguns crentes, a pessoa sábia é a que sempre tem algo a falar. Ouvir é um empreendimento trabalhoso e, por isso, ignorado por muitos. Diferentemente, as Escrituras admoestam-nos a ser prontos para ouvir. No versículo 19, Tiago introduz o seu ensino sobre o "ouvir" e o "falar" destacando a expressão sabei isto. Com essa expressão, ele demonstra a sua preocupação pastoral com os seus leitores. Outro termo no versículo 19 chama-nos a atenção: pronto. No grego, a palavra significa "rápido", "ligeiro" e "veloz". Ali, o escritor sacro incentiva-nos a estar disponíveis a ouvir. É uma atitude que depende de uma disposição e também da decisão em ouvir o outro. A exemplo do profeta Samuel, que desde a sua infância foi ensinado a ouvir a voz divina (1 Sm 3.10; 16.6-13), o povo de Deus deve persistir em escutar os desígnios do Pai, pois nesses últimos dias têm Ele falado através do seu Filho, o Verbo Vivo de Deus (Hb 1.1; cf. Jo 1.1). [Comentário: A expressão “seja pronto para ouvir” é uma bela maneira de traduzir a ideia de uma audição ativa. Não devemos simplesmente deixar de falar; devemos estar prontos e dispostos para ouvir. Este ouvir com “prontidão” obviamente é feito com discernimento. Devemos examinar o que ouvimos com a Palavra de Deus. Se não ouvirmos, tanto atentamente quanto prontamente, podemos ser levados a todos os tipos de falsos ensinos e enganos. Em outras palavras, ao invés de exibirem um mau temperamento, forçando sua vontade sobre os outros, os crentes deveriam estar prontos a ouvir e ver os pontos de vista dos outros - Paulo traça esse conceito em Rm 12.16. Deve haver uma atitude de mútua condescendência, o que é apenas outra maneira de se falar sobre o amor mútuo em operação. O amor cristão consiste em cuidarmos dos outros conforme cuidamos de nós mesmos. Aquele que segue essa regra não explode em ira nem anseia por impor sua vontade aos outros. O Comentário Esperança Carta De Tiago traz o seguinte comentário: “Se já entre humanos é importante ouvir corretamente, é duplamente necessário ser “rápido no ouvir” onde e quando acontece a palavra de DEUS, “a palavra da verdade” (v. 18). Ao ouvirmos sua palavra, DEUS semeia a nova vida em nós. É assim que ele a nutre, cria espaço para ela e afasta o “inço” que tenta impedir e sufocar essa “plantação” de DEUS em nós (Lc 8.11; Mt 13.7,22; 1Co 3.9). Desse modo ele fomenta a nova vida em nós e faz com que amadureça. Cumpre aqui ser sobretudo “rápido para ouvir” (com que nos ocupamos primeiro pela manhã, a Bíblia ou o jornal?) Para filhos de DEUS a palavra dele constitui o elemento vital (Lc 2.49). Contudo, “rápido para ouvir” significa para cristãos também que deem ouvidos a seres humanos: independentemente de se tratar do serviço de amar ou de testemunhar. Temos de saber o que falta ao outro e quais são suas indagações, pelo que devemos ouvi-lo atentamente. Pedro afirma: “Estai sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1Pe 3.15). E Paulo escreve: “Sabei como deveis responder a cada um” (Cl 4.6). Ou seja, pergunta-se e são dadas respostas. Não um “disco” que simplesmente é posto para tocar. Cada cristão vivo é convocado a ser conselheiro espiritual em seu entorno. A premissa básica de todo serviço de aconselhamento é primeiro prestar atenção ao outro”.Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança. Russell Norman Champlin escreve em sua obra intitulada Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo, o seguinte: “1Sm 3.10 Chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel. Este foi o quarto e último chamado. As primeiras palavras deste versículo mostram-nos que o Senhor não somente chamou Samuel mediante aquela voz misteriosa, mas também fez sentir a Sua presença. Todavia, tem-se a impressão de que o mesmo havia acontecido nas três vezes anteriores, embora somente aqui isso nos seja dito. Nas ocasiões anteriores, Samuel ouviu mas não interpretou corretamente a voz. E também não tomou consciência da presença divina. Sua experiência, pois, estava crescendo em poder, conforme avançava. O Quarto Chamado. A voz chamara Samuel pelo nome. Nessa quarta vez, porém, Samuel foi capaz de receber a comunicação tencionada, visto que tinha obedecido às instruções dadas por Eli. Responder diretamente à “voz” permitiu- lhe receber a mensagem diretamente. O texto não indica que a glória shekinah de DEUS se tenha manifestado, mas talvez devamos entender que assim sucedeu. Ver no Dicionário o artigo chamado Shekinah. A glória de DEUS moveu-se do interior do SANTO dos Santos e pôs-se ao lado do leito de Samuel. Foi assim que o DEUS infinito condescendeu diante do homem finito. E essa é a própria natureza do drama divino-humano em que o ser humano está envolvido. A maior e mais eficaz de todas as condescendências divinas ocorreu quando o Logos se encarnou e se tornou um homem entre os homens (ver João 1.14). “Vede o quanto DEUS ama s. santidade nos jovens. O menino Samuel foi preferido por Ele, em lugar de Eli, o idoso sumo sacerdote e juiz" (Teodoreto). “... quando finalmente Samuel respondeu à voz, esta se tornou uma visão" (George B. Caird, in loc.)”. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1137.]

2. Tardio para falar. Quem ouve com atenção adquire a rara capacidade de opinar acerca de qualquer assunto. É justamente por isso que a Carta de Tiago exorta-nos a ser tardios para falar (v.19). Uma palavra dita sem pensar, fora de tempo, e sem conhecimento dos fatos, pode provocar verdadeiras tragédias. Quem nunca se arrependeu de ter falado antes de pensar? Diante de Faraó, o imperador do Egito Antigo, o patriarca José aproveitou sabiamente um momento ímpar em sua vida. Antes de responder às perguntas sobre os sonhos do monarca, José as ouviu e refletiu sobre elas. Em seguida, orientado pelo Senhor, respondeu sabiamente Faraó (Gn 41.16). Temos de aprender a refletir sobre o que vamos dizer e falar no tempo certo. Pese bem as palavras, e ore como o rei Davi: "Põe, ó SENHOR, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios" (Sl 141.3). [Comentário:Imaginemos uma moeda com suas duas faces - de um lado “Ser pronto para ouvir” e do outro “tardio para falar”. A lentidão em falar significa falar com humildade e paciência, não com palavras ásperas nem tagarelando sem parar. O falar constante impede que a pessoa seja capaz de ouvir. A sabedoria nem sempre é ter algo a dizer; ela envolve o ouvir cuidadosamente, o refletir piedosamente, e o falar mansamente. Quando falamos demais e ouvimos pouco, mostramos aos outros que pensamos que as nossas ideias são muito mais importantes do que as deles. Tiago nos adverte sabiamente para revertermos este processo. Precisamos colocar um cronômetro mental nas nossas conversas e observar o quanto falamos e o quanto ouvimos. Tiago não tem muito a dizer a respeito de pecados da carne, tão característicos dos gentios do primeiro século. Em vez disso ele nos adverte em relação aos pecados que os judeus estavam mais inclinados a praticar — orgulho, impaciência e outros pecados do temperamento e da língua. Dessa forma, o apóstolo cita três preceitos que provavelmente eram conhecidos aos seus leitores: Todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar (v. 19). Visto que ele está prestes a apresentar uma advertência severa, Tiago inicia suas palavras com uma expressão de profunda afeição e nela identifica-se com os seus ouvintes — meus amados irmãos. Parece mais certo considerar o ouvir e o falar em um sentido geral, em vez de restringir o significado (como alguns fazem) ao ouvir e falar a mensagem do evangelho. Tiago mais tarde trata especificamente do relacionamento do homem com a “palavra” salvadora. Zeno ressalta que um homem tem dois ouvidos mas somente uma boca; ele, portanto, deveria ouvir duas vezes mais do que falar. Há uma conexão íntima entre o ouvir e o falar; também entre o falar e a ira. Aquele que ouve mais atentamente entende melhor o seu próximo; entender leva a um falar ponderado e a uma resposta branda que “desvia o furor”. O falar impensado, por outro lado, com frequência produz a palavra pesada que “suscita a ira” (Pv 15.1). A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 161. É necessário que, enquanto prestamos atenção no outro, já reflitamos sobre uma resposta que o ajude e o leve adiante, e isso exige que sejamos tardios em falar. O filósofo grego Xenócrates (406 a.C. — 314 a.C.) dizia: “Tenho-me arrependido muitas vezes por ter falado, mas nunca por ter guardado silêncio”, até parece que ele leu o Salmo 39.1,9!]

3. Controle a sua ira. Uma terceira admoestação encontrada no versículo 19 da carta de Tiago expressa o seguinte: tardios para se irar. A ira é um profundo sentimento de ódio e rancor contra a outra pessoa. Uma vez descontrolada, ela não produz a justiça de Deus, mas uma justiça segundo o critério da pessoa que sofreu o dano: a vingança. A Palavra de Deus não proíbe o crente de ficar indignado contra a injustiça (Is 58.1,7; Lc 19.45). Contudo, ao mesmo tempo, a Bíblia estabelece limites para o nosso temperamento não se achar irrefletido, descontrolado, deixando-nos impulsivamente irados (Ef 4.26; Pv 17.27). O cristão, templo do Espírito Santo, tem de levar a sua mente cativa a Cristo (2 Co 10.5) e manifestar o fruto do Santo Espírito: o domínio próprio (Gl 5.22 - ARA). Fuja da aparência do mal. Tenha autocontrole. [Comentário: Segundo o dicionário online de português, ira é: Paixão que incita toda a nossa agressividade contra alguém ou algo; raiva, cólera, fúria: a ira é um dos sete pecados capitais. Indignação furiosa, desejo veemente de vingança: a justa ira dos explorados. O produto da ira sempre será uma ferida tanto no nosso próximo como em nós mesmos. Portanto, a recomendação de Tiago é que sejamos tardios [...] para se irar (v. 19). O crente deve abandonar a ira que não opera a justiça de Deus (v. 20). A justiça de Deus significa conduta certa, isto é, fazer o que Deus quer (Mt 6.33). A ira carnal não só nos leva a uma conduta sem amor e a desagradar a Deus, mas esse comportamento irado em um cristão professo levanta dúvida na mente dos observadores e, dessa forma, diminui o progresso do Reino de Deus. Talvez alguém argumente: “mas Jesus irou-se”, e eu diária que a única ira que o crente deve manifestar é a mesma ira que Jesus manifestou sentiu: “E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra” (Mc 3.5). Esse tipo de ira não é a expressão de uma petulância particular, mas de um ressentimento público contra o comportamento e as ações que levam outros a sofrer sem culpa da pessoa irada. No episódio da purificação do Templo, onde Jesus é descrito com um azorrague na mão, indignado com os cambistas e vendilhões, expulsa-os do pátio dos Gentios, o imenso pátio externo do Templo, se fizermos uma leitura cuidadosa dos quatro relatos sobre a purificação do Templo não dará qualquer suporte à ideia de que JESUS usou de violência física contra as pessoas, ou roubou-as de suas posses. Ele simplesmente fez com que os homens - com seus pertences-se retirassem da área sagrada. Jesus enfureceu-se porque o lugar de adoração a Deus tornara-se lugar de extorsão e barreira aos gentios que desejavam adorar. Jesus citou Isaías 56.7 e usou essa passagem para explicar que o Templo de Deus deveria ser uma casa de oração, mas os comerciantes e os cambistas o haviam convertido em um covil de ladrões. Matthew Henry comentando o texto de Lucas 19.45, escreve: “O zelo que Jesus mostrou pela purificação do Templo. Embora ele devesse ser destruído dentro de pouco tempo, não era motivo para que não se cuidasse dele, enquanto isto. 1. Cristo o limpou daqueles que o profanavam: “Entrando no Templo, começou a expulsar todos os que nele vendiam e compravam”, v. 45. Com isto (embora Ele fosse representado como um inimigo do templo, e este foi o crime de que Ele foi acusado diante do sumo sacerdote), Ele demonstra que tinha um amor pelo Templo mais verdadeiro do que aqueles que tinham a mesma veneração pelo seu corbã, o seu tesouro, como se fosse algo sagrado, pois a sua glória estava mais na sua pureza do que na sua riqueza. Cristo deu razões para desalojar os mercadores do Templo, v. 46. O Templo é casa de oração, consagrado para a comunhão com Deus: os compradores e vendedores fizeram dele um covil de salteadores, pelos negócios fraudulentos que eram realizados ali, o que, de nenhuma maneira, devia ser permitido, pois seria uma distração para aqueles que vinham até ali para orar.” HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 695. As palavras “irai-vos e não pequeis” são tiradas de Salmos 4.4. A Bíblia não diz que não devemos nos irar, mas ela mostra que é importante controlarmos adequadamente a nossa ira. Não devemos ceder aos nossos sentimentos de ira ou permitir que eles nos levem ao orgulho, ódio, ou hipocrisia. Jesus Cristo enfureceu-se com os mercadores no Templo, mas esta era uma ira justa e não o levou a pecar. Os crentes devem seguir o exemplo de Jesus. Devemos reservar nossa ira para quando vermos Deus desonrado ou as pessoas tratadas injustamente. Se ficarmos irados, devemos fazê-lo sem pecar. Para fazer isso, devemos lidar com nossa ira antes que o sol se ponha. De acordo com o livro de Deuteronômio, o pôr-do-sol é a hora em que todo o mal contra Deus e contra os outros deve ser corrigido (Dt 24.13,15). A ira que é deixada ardendo lentamente e queimando ao longo do tempo pode, por fim, explodir em chamas e dar um poderoso ponto de apoio para o diabo, fazendo com que as pessoas pequem, ao se tornarem amarguradas e ressentidas. É muito melhor lidar com a situação imediatamente; talvez a admoestação anterior, para se falar a verdade carinhosamente, possa resolver o problema. Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 340.]
SINOPSE DO TÓPICO (1)
À luz da Palavra de Deus aprendemos que o crente deve ser tardio para falar e pronto para ouvir. Por isso, a ira é um sentimento que deve ser controlado pelo crente.

II. PRATICANTE E NÃO APENAS OUVINTE DA PALAVRA (Tg 1.21-25)

1. Enxertai-vos da Palavra (21). A Palavra de Deus é o guia maior do crente. E para que a Palavra atinja efetivamente o coração do servo de Deus, este precisa acolhê-la com pureza e sinceridade. Isto é, firmar uma posição radical rejeitando toda a imundícia e a malícia mundana (v.19); recebendo o Evangelho com mansidão e sobriedade. Leia os Evangelhos! Persiga em conhecer a mensagem divina de Cristo Jesus, mas, igualmente, abra o coração para ouvir a voz do Senhor. [Comentário: Tiago fala que devemos receber com mansidão a Palavra que em nós foi colocada. Mas antes disso ele diz que é preciso rejeitar toda a imundícia e acúmulo de malícia. O que isso significa? Que além de receber a Palavra de Deus, é preciso rejeitar tudo o que a Palavra de Deus condena. É uma questão de comutatividade (recebo a Palavra de Deus e rejeito o pecado). Nossa tendência é acumular imundícia e malícia por causa de nossa natureza pecaminosa, mas esses dois elementos devem ser substituídos pela Palavra de Deus e seus efeitos em nossas vidas. A expressão “malícia”, no grego, é kakia, melhor traduzida como “maldade”. Em todo o contexto, a maldade não pode conviver com um coração sábio e dominado pelos princípios da Palavra de Deus. Ou praticamos o que Deus diz ou privilegiaremos a maldade e as demais características rejeitadas pelo Senhor. A recompensa por essa atitude é a salvação da alma. Aqui encontramos mais uma característica dos escritos de Tiago: a prática que espelha a salvação. Mais uma vez, Tiago mostra que as obras são um reflexo (e não o caminho) da salvação. Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 63. Devemos rejeitar toda imundícia e acúmulo de malícia. Segundo o texto grego, esta é uma ação definitiva. Por que devemos fazer isto? O progresso na nossa vida espiritual não pode ocorrer a menos que vejamos o pecado como ele é, deixemos de justificá-lo, e decidamos rejeitá-lo. A imagem das palavras de Tiago aqui nos apresenta livrando-nos dos nossos maus hábitos e atos como quem se despe de roupas sujas. Depois de “nos livrarmos”, precisamos receber com mansidão a palavra de Deus, procurando viver de acordo com ela, porque ela foi enxertada em nossos corações e se torna parte do nosso ser. Deus nos ensina desde as profundezas das nossas almas, com o ensino do Espírito e com o ensino de pessoas orientadas pelo Espírito. O solo no qual a palavra é plantada deve ser acolhedor, para que ela possa crescer. Para tornar o nosso solo acolhedor, precisamos desistir de quaisquer impurezas nas nossas vidas. A Palavra de Deus torna-se uma parte permanente de nosso ser, orientando-nos todos os dias. A palavra implantada é suficientemente forte para poder salvar a nossa alma. Quando absorvemos as características ensinadas na Palavra, estas se expressam no nosso modo de viver. As provações e as tentações não podem nos derrotar se estivermos aplicando a verdade de Deus às nossas vidas. Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 668.]
2. Praticai a Palavra (22-24). O escritor sacro não tem interesse em que o leitor da epístola apenas acolha a Palavra no coração, antes deseja que o crente a pratique (v.22). Não pode haver incoerência entre o que se "diz" e o que se "faz" para quem é discípulo de Jesus. Se amar a Deus e ao próximo são os maiores dos mandamentos, então, devemos porfiar em vivê-los. Quem acolhe a Palavra rejeita tudo o que é imundo, maligno, perverso, injusto, dissimulado, insincero. Não apenas isso, mas igualmente abre a porta do coração para "tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama" (Fp 4.8). Do contrário, seremos identificados com o homem que contempla a própria imagem no espelho e depois se retira esquecendo-se completamente dela. Há pessoas que olham para o Evangelho e ouvem, mas sem memória e perseverança, não dão nenhuma resposta ou sequência ao chamado de Jesus Cristo (vv.23,24). Deus nos livre desse engodo! [Comentário: O Rev. Hernandes Dias Lopes, Pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória-ES, escreve em sua obra intitulada “TIAGO Transformando provas em triunfo”: “Tiago enfatiza três verdades vitais aqui. Em primeiro lugar, o verdadeiro crente nasce da Palavra de Deus (1.18). A Palavra de Deus é a divina semente. Quando ela é aplicada em nosso coração pelo Espírito Santo, acontece o milagre do novo nascimento. Nascemos, assim, de cima, de Deus, do Espírito. Recebemos, portanto, uma nova natureza, uma nova vida. Em segundo lugar, o verdadeiro crente acolhe a Palavra (1.21). Há uma preparação própria para receber a Palavra: “Pelo que, despojando-vos de toda sorte de imundícia e de todo vestígio do mal...”. A Palavra de Deus é comparada a uma semente, e o coração do homem, a um solo. Antes de lançarmos a semente precisamos preparar a terra. Jesus falou de quatro tipos de solo: o solo endurecido, o superficial, o congestionado e o frutífero (Mt 13.1-23). Antes de acolhermos a Palavra, precisamos remover a erva daninha da impureza e da maldade. Também é requerida uma atitude correta para receber a Palavra: “... recebei com mansidão a palavra em vós implantada...” A mansidão é o oposto da ira (1.19). E necessário adubar o terreno para que a semente frutifique. A Palavra deve ter raízes profundas em nossa vida. Aceitamos de bom grado a transformação que Deus opera em nós através da Palavra. Tiago fala ainda acerca do resultado da recepção da Palavra: “... a qual é poderosa para salvar as vossas almas”. Quando nascemos da Palavra, ouvimos a Palavra, recebemos a Palavra e praticamos a Palavra, podemos ter garantia da salvação. Em terceiro lugar, o verdadeiro crente pratica a Palavra (1.22-25). Não basta ouvir ou ler a Palavra, é preciso praticá-la. Não basta apenas o conhecimento da verdade, é necessário também a prática da verdade. Muitos crentes marcam sua Bíblia, mas a Bíblia não os marca. Há grandes benefícios em se praticar a Palavra. Primeiro, quem pratica a Palavra conhece a si mesmo (1.23,24). A Palavra aqui é comparada não com a semente, mas com o espelho. O principal propósito do espelho é o autoexame. Quando você olha para dentro da Palavra e compreende o que ela diz, você conhece a você mesmo: seus pecados, suas necessidades, seus deveres e suas recompensas. Ninguém olha no espelho e logo vai embora sem fazer nada. Você olha no espelho para saber se já penteou o cabelo, se já lavou o rosto ou se a roupa está bem passada. Você olha no espelho para ver as coisas como elas são. Quando você olha no espelho, você descobre que tipo de pessoa você é e como você está. Há alguns perigos quanto ao espelho que precisamos evitar: devemos evitar olhar apenas de relance no espelho. Muitas pessoas não estudam a si mesmas quando leem a Bíblia. Muitas pessoas leem a Bíblia todo dia, mas não são lidas por ela, não a observam. Muitos leem por um desencargo de consciência, mas não se afligem por não colocar sua mensagem em prática. Há sempre o perigo de você se ver no espelho e não fazer nada a respeito. Leia esta história: Conta-se a história de um homem idoso basta-me míope, que tinha grande orgulho em atuar como crítico de arte. Um dia, ele visitou um museu com alguns amigos e, imediatamente. Como saber se minha religião é verdadeira começou a fazer suas críticas sobre vários quadros. Parando diante de um quadro de corpo inteiro, começou a dar a sua opinião. Ele havia deixado seus óculos em casa e não podia ver a pintura com clareza. Com ar de superioridade, ele comentou; ‘A constituição física desse modelo está simplesmente em desacordo com a pintura. O sujeito (um homem) é bastante rústico e está miseravelmente vestido. De fato, ele é repulsivo, e foi um grande erro para o artista selecionar esse modelo de segunda classe para pintar o seu retrato’. O velho camarada foi seguindo em seu caminho, quando sua esposa o puxou para o lado e sussurrou em seu ouvido: ‘Querido, você estava se olhando no espelho’. Devemos tomar cuidado para não esquecermos o que vemos no espelho. Muitas vezes lemos a Bíblia tão distraidamente que nem conseguimos ver quem nós somos, como está a nossa aparência. Não temos convicção de pecado. Não sentimos sede de Deus. Não falamos como Isaías: “Ai de mim!”. Não falamos como Pedro; “Senhor, aparta-te de mim, porque eu sou um pecador”. Não falamos como Jó: “Eu me abomino no pó e na cinza”. Devemos nos acautelar para não fracassarmos em fazer o que o espelho mostra. Não basta ler a Bíblia, é preciso praticá-la. Não basta falar, é preciso fazer. Reunimo-nos muito para conhecer e pouco para praticar. Gastamos os assentos dos bancos e pouco as solas dos sapatos. LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag. 32-34.]
3. Persevere ouvindo e agindo (v.25). Tiago conclui este ponto da epístola da seguinte maneira: Quem é cuidadoso para com a lei, nela persevera; não apenas ouvindo-a negligentemente, mas praticando-a zelosamente. Felicidade plena em tudo é a promessa para quem ousa viver o Evangelho cônscio das implicações espirituais e das consequências materiais. Alguém, um dia, disse que os evangélicos são poderosos no discurso, mas fracos na prática do mesmo discurso. Falamos, mas não vivemos! Precisamos analisar nossa vida em amor e sinceridade. Entremos na presença de Deus com o rosto descoberto, coração rasgado e alma despida. No tempo em que vivemos não dá para passar despercebidos na dissimulação, ou seja, fingindo ser algo que na verdade não somos. [Comentário: As pessoas que atentam são aquelas que estudam a lei de Deus com séria atenção e, a seguir, a escolhem como o seu estilo de vida. Elas estudam com atenção extasiada, e não apenas uma vez, mas continuamente; como resultado, elas se lembram da Palavra de Deus e a colocam em prática. Esta lei é perfeita, não é possível melhorá-la. Esta lei dá liberdade, porque é somente obedecendo à lei de Deus que a verdadeira liberdade pode ser encontrada (compare com Jo 8.31,32). Como cristãos, nós somos salvos pela graça de Deus, e a salvação nos liberta do controle do pecado. Como crentes, nós somos livres para viver como Deus nos criou para viver. Naturalmente, isto não quer dizer que somos livres para fazer o que quisermos (1 Pe 2.16) - agora nós somos livres para obedecer a Deus. A pessoa que atenta para a Palavra de Deus, faz o que ela diz, não esquece o que ouviu e obedece será bem-aventurada. Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 669.]
SINOPSE DO TÓPICO (2)
O crente deve encher-se da Palavra, praticar a Palavra e perseverar na Palavra.

III. A RELIGIÃO PURA E VERDADEIRA (Tg 1.26,27)

1. A falsa religiosidade. Apesar de algumas pessoas se considerarem religiosas por frequentarem um templo, as Escrituras revelam o significado da verdadeira religião. Ela reprova todo o ativismo religioso feito em "nome de Deus", mas em detrimento do próximo. Aqui, a língua do crente tem um papel importante. Tiago diz que é possível enganar o próprio coração quando deixamos de refrear a nossa língua. Ora, o coração é a sede dos desejos, dos sentimentos e das vontades. E a boca só fala daquilo que o coração está cheio (Mt 12.34). É incompatível com o Evangelho, viver a graça de Deus sem mergulhar no Reino dEle. Quem não se entrega inteiramente ao Senhor pratica uma religião vã e falsa. Não podemos ser como a pessoa capaz de fazer uma belíssima oração por um faminto, e depois despedi-lo sem lhe dar um único grão de arroz. [Comentário: Tg 1.26: Se alguém cuida ser religioso... Noutras palavras, será que determinado crente se julga um bom cristão, muito piedoso? A ênfase está no desempenho religioso, e provavelmente inclui atos de culto como a oração, o jejum e o dízimo. Tiago não condena tais atividades, mas acrescenta o seguinte:e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a sua religião é vã. Noutras palavras, as práticas religiosas são ótimas, mas, se não vierem acompanhadas de um modo de viver ético, nada valem, são menos do que inúteis, porque se (Tiago 1.1-27) transformam em autoenganos. O interesse específico de Tiago é o controle da língua, que é sua maneira de referir-se ao controle do palavrório irado, das explosões de raiva, da crítica ferina e das queixas (cf. 1.19; 3.1,13; 4.11-12; e 5.9). O criticismo, o julgamento e o queixume impiedosos revelam corações ainda não submetidos ao mandamento de Cristo. Trata-se de pessoas cujas práticas religiosas exteriores, conquanto cristãs, são tão salvíficas quanto a idolatria (isto é, nulas), recebendo ainda a alcunha de práticas vãs nas Escrituras (Atos 14.15; 1 Coríntios 3.20; 1 Pedro 1.18). Tiago, à semelhança de Jesus (Marcos 12.28-34; João 13.34) e os profetas (Oséias 6.6; Isaías 1.1-10; Jeremias 7.21-28), desmascaram sem piedade esse autoengano, de modo tal que seus leitores podem reconhecer sua verdadeira condição antes que seja tarde demais. Peter H. Davids. Comentário Bíblico Contemporâneo. Editora Vida. pag. 60-61. O que destrói nosso culto a Deus, em última análise, quando damos vazão à natureza carnal natural, que desagrada a Deus, quando de alguma maneira permitimos que o diabo enfie o pé na fresta da porta. Onde penetra um espírito falso, o Espírito de Deus se retira (“Ele concede o Espírito aos que lhe são obedientes” – At 5.32.) Na sequência Tiago nos diz que nosso falar é um ponto de entrada para esse espírito falso muito pouco considerado. Levamos a sério nosso agir, mas bem menos nossas palavras. Quantas coisas são ditas ou (o que não é menos negativo) sugeridas em conversas, mesmo depois daquilo que chamamos de “culto a Deus”, e quanta inveja, ciúme e desprezo estão por trás disso! No cap. 3 Tiago nos trará pormenores acerca dessa questão. Adaptado de Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.]
2. A verdadeira religião (v.27). A religião pura, santa e imaculada, de acordo com o autor sacro, é suprir a necessidade do próximo: "Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações". O problema hoje é que a nossa atenção, quase sempre, está voltada para o prazer pessoal. Temos os olhos fechados para os necessitados que na maioria das vezes cultuam a Deus, assentados, ao nosso lado. Lembremo-nos da vida de Jesus Cristo! Ele não apenas olhou para os marginalizados, mas foi até eles e os acolheu em amor (Mt 25.35-45). A religião que agrada a Deus é aquela cujos discípulos professam e bendizem o seu nome, visitando e acolhendo os necessitados nas aflições. [Comentário: O Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal traz o seguinte sobre o texto de Tiago 1.27: “De uma religião que é capaz de argumentar facilmente a favor de qualquer comportamento, Tiago agora se volta para um relacionamento no qual Deus pode ditar os termos de comportamento - a religião pura e imaculada. Tiago explica a religião em termos de um serviço prático e de pureza pessoal. Os rituais realizados com reverência não são errados; mas, se uma pessoa se recusa a obedecer a Deus na sua vida diária, a sua “religião” não é aceita por Deus. A religião pura e imaculada não é a observância perfeita de regras; na verdade, é um espírito que se infiltra nos nossos corações e nas nossas vidas (Lv 19.18; Is 1.16,17). Assim como Jesus, Tiago explica a religião em termos de uma fé interior vital, que se expressa na nossa vida cotidiana. O nosso comportamento deve estar de acordo com a nossa fé (1 Co 5.8). Órfãos e viúvas são frequentemente mencionados nas preocupações da igreja primitiva, porque eles eram os mais obviamente “pobres” na Israel do século I. As viúvas, por não terem acesso às heranças na sociedade judaica, estavam praticamente à margem da sociedade. Por esta razão, Paulo teve que organizar um procedimento completo a respeito das viúvas em suas próprias igrejas, como se vê em 1 Timóteo 5. As viúvas não podiam ter empregos, e as suas heranças iam para os seus filhos primogênitos. Era de se esperar que as viúvas fossem sustentadas pelas suas próprias famílias, de modo que os judeus as deixavam com pouquíssimo sustento econômico. A menos que um membro da família estivesse disposto a cuidar delas, elas se viam reduzidas a mendigar, se venderem como escravas, ou passar fome. Ao cuidar destas pessoas desamparadas, a igreja colocava em prática a Palavra de Deus. Quando doamos sem esperança de receber algo em troca, nós mostramos o que significa servir aos outros. Ainda hoje, a presença de viúvas e órfãos nas nossas comunidades e cidades torna esta orientação de Tiago muito contemporânea. A este grupo, nós também podemos acrescentar aquelas pessoas que realmente se tornaram viúvas e órfãos através da destruição das famílias pelo divórcio. Estas pessoas têm vidas complicadas. As necessidades sempre ameaçam superar os nossos recursos humanos. Cuidar de pessoas magoadas é um trabalho estressante. Ainda assim, nós somos convocados para nos envolver.” Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 669-670. Deus nos presenteou com seu grande amor, dando-nos seu Filho unigênito como irmão e tornando-se assim pessoalmente nosso Pai e a nós, seus filhos (Rm 5.8; 1Jo 3.1). Agora tudo depende de que nós lhe agrademos, como o Filho primogênito de Deus (Mt 3.17). Duas coisas são citadas aqui como partes integrantes do verdadeiro culto a Deus: dirigir-se para dentro do mundo e preservar-se diante do mundo. (a) “Visitar órfãos e viúvas em sua aflição”: Tiago cita pessoas que naquele tempo eram especialmente carentes de ajuda, bem como de proteção jurídica. Literalmente consta: “olhar por eles”. Isso inclui o cuidado assistencial. É condizente com a intenção de nosso Senhor e vale como dirigido a ele, quando nos dedicamos com toda energia, amor e fantasia às pessoas em torno de nós, perto e longe, em vista de suas mais diversas carências (Mt 25.45; 18.5).]
3. Guardando-se da corrupção (v.27). Além de recomendar a obrigatoriedade de visitarmos os órfãos e as viúvas, a Epístola de Tiago menciona outro aspecto da verdadeira religião: guardar-se da corrupção do mundo. A religião falsa está mergulhada no egoísmo, na corrupção e nos interesses maléficos do sistema pecaminoso. A igreja deve manter-se longe da corrupção. Estamos no mundo, mas não fazemos parte do seu sistema! O Evangelho nada tem com os seus valores e preceitos. [Comentário: Mais uma vez cito o Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal: “Além disto, aqueles que têm uma religião pura e imaculada se guardarão da corrupção do mundo. Para nos protegermos da corrupção do mundo, precisamos nos comprometer com o sistema ético e moral de Cristo, e não com o do mundo. Não devemos nos adaptar ao sistema de valores do mundo, baseado no dinheiro, no poder, e no prazer. A verdadeira fé não significa nada se estivermos contaminados com estes valores. Tiago estava simplesmente ecoando as palavras do Senhor Jesus em sua oração que é chamada “oração sumo sacerdotal” (Jo 17), em que Jesus enfatizou que estava enviando os seus discípulos ao mundo, mas esperando que eles não fossem do mundo. A medida que nos colocamos à disposição para servir a Cristo no mundo, precisamos nos colocar continuamente sob a proteção desta oração. A oração afirma duas coisas importantes: (1) nós permanecemos no mundo porque este é o local onde Cristo quer que estejamos; e (2) nós teremos a proteção de Deus. Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 670. O guardar-se incontaminado do mundo significa evitar que pensemos e ajamos de acordo com o sistema de valores da sociedade que nos cerca. Tal sociedade reflete amplamente crenças e práticas contrárias à Palavra de Deus, ativamente anticristãs. O cristão que vive “no mundo” corre o constante perigo de ter sobre si a mácula do sistema. É importante e instrutivo o fato de Tiago incluir esta última área, pois ela penetra além da ação, chegando às atitudes e crenças das quais a ação brota. A “religião pura” do “cristão perfeito” (v. 4) associa a pureza de coração à pureza de ação.]
SINOPSE DO TÓPICO (3)
A verdadeira religião está em olharmos para o necessitado, irmos até ele e acolhê-lo

CONCLUSÃO
Nessa semana aprendemos sobre o cuidado que devemos ter com o ouvir e o falar. Estudamos também acerca da religião pura e imaculada que alegra a Deus: visitar os órfãos e as viúvas nas tribulações e guardarmo-nos da corrupção do mundo. Que os nossos ouvidos estejam prontos para ouvir, a nossa língua para falar sabiamente e a nossa vida para praticar tudo quanto aprendemos do Evangelho. Embora estejamos em um mundo turbulento, devemos exalar o bom perfume de Cristo por onde formos (2 Co 2.15). [Comentário:Estamos no mundo, mas não somos do mundo. É correto atuar no mundo, mas não se sujar e infeccionar com ele. Neste mundo é preciso que nos relacionamos com ele – é algo necessário – com isso, corremos o risco de contaminar-nos com os ídolos que predominam em nosso entorno e adotá-los junto com seus parâmetros e seu espírito. Nossa época é caracterizada por uma mentalidade carreirista, pelo espírito reivindicatório, pela indiferença em relação a Deus e às pessoas. Em nossa época se exige muitas vezes que cristãos não se distingam em nada do mundo, que a igreja de Cristo se dissolva na sociedade com seu serviço e suas tarefas. Nada mais urgente para a Igreja de Cristo do que meditar na Carta de Tiago, especialmente, sobre o tema o Cuidado ao Falar e a Religião Pura! O fato de que somos como um bom perfume para Deus, que ele se deleita em nós e em nossa maneira de viver, deve gerar em nosso íntimo, o desejo de vivermos corretamente à luz do texto de Tiago 1.19-27.]
“NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,
Graça e Paz a todos que estão em Cristo!

Francisco Barbosa
Cor mio tibi offero, Domine, prompte et sincere!

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
STRONSTAD, Roger; ARRINGTON, French L. (Eds.) Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004
EXERCÍCIOS
1. Tiago introduz o seu ensino sobre o "ouvir" e o "falar" destacando a expressão "sabei isto". O que ele deseja demonstrar com essa expressão?
R. Com essa expressão, ele demonstra a sua preocupação pastoral com os seus leitores.
2. Segundo a lição, o que é ira?    
R. A ira é um profundo sentimento de ódio e rancor contra a outra pessoa.
3. Qual é o guia maior do crente?
R. A Palavra de Deus.
4. O que ocorre quando não nos entregamos inteiramente ao Senhor?
R. Quem não se entrega inteiramente ao Senhor pratica uma religião vã e falsa.
5. Segundo a lição, qual é a religião que agrada a Deus?
R. A religião que agrada a Deus é aquela cujos discípulos professam e bendizem o seu nome, visitando e acolhendo os necessitados nas suas aflições.


NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
-. Lições Bíblicas do 3º Trimestre de 2014 - CPAD - Jovens e Adultos;
-. Bíblia de Estudo Pentecostal – BEP (Digital);
-. Bíblia de Estudo de Genebra. São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999;

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